Alterações da Tireóide: Como identificar os nódulos tireoidianos

A tireóide é uma glândula cuja forma se assemelha a uma ferradura ou borboleta e localizada-se na região anterior do pescoço, apresentando o peso que, na glândula normal, varia entre 4 e 16 gramas, em média. Ela é responsável pela produção de hormônios que auxiliam na regulação do metabolismo, isto é, no processo como o nosso corpo usa e armazena a energia.

Diversas são as doenças relacionadas à tireóide, algumas associadas a alterações da função e outras à anatomia. Trataremos aqui de um grupo destas alterações: os nódulos tireoidianos, achado muito frequente na avaliação clínica, e especialmente, em exames de ultrassonografia.

O nódulo, popularmente chamado de “caroço”, pode ser detectado pela palpação em cerca de 5% das mulheres e 1% dos homens. Curiosamente, são muito mais frequentes que isto, já que em exames de ultrassom de uma população aleatória (escolhida ao acaso), podemos encontrar nódulos, em média entre 30 a 50% dos indivíduos, sendo mais comuns nas mulheres, com a idade e quando há história familiar.

A grande maioria dos nódulos (cerca de 9 em cada 10), são benignos (não-cancerosos) e a sua maior parte é de causa desconhecida, sendo de ocorrência comum em determinadas famílias. Contudo, os nódulos malignos (tumorais) ocorrem em cerca de 8% nos homens e 4% nas mulheres, com a incidência que pode variar, para mais ou para menos, dependendo da idade, história familiar e exposição a fatores de risco.

O exame de ultrassom em pacientes com nódulos suspeitos ou detectados na avaliação clínica torna-se ferramenta de extrema importância para a investigação diagnóstica. A ultrassonografia mostra-se como método de diagnóstico rápido, sem uso de radiação, devendo contudo ser realizado por profissionais capacitados e com a experiência na avaliação de doenças da tireóide, utilizando-se sempre de equipamentos adequados com alta resolução de imagem.

A ultrassonografia (exame de ultrassom) consegue confirmar ou afastar a suspeita clínica de nódulo tireoidiano; pode quantificar e mensurar o nódulo ou os nódulos, já que, com frequência, estes são múltiplos; mostra as características de cada um dos nódulos e assim, pode classificá-los entre mais ou menos suspeitos;

O exame de ultrassom com Doppler colorido consegue ainda dar informações adicionais sobre o tipo de vascularização do nódulo, melhorando ainda mais a caracterização do mesmo. Uma vez selecionados como suspeitos ou indeterminados, a ultrassonografia pode, se indicado pelo médico assistente, ser utilizada para guiar a punção-biópsia aspirativa com agulha fina (PAAF).

A punção-biópsia guiada pelo ultrassom é procedimento em geral rápido e bem tolerado, no qual, após a antissepsia (limpeza) da região anterior do pescoço e anestesia local da pele, é introduzida agulha de fino calibre, sob visão da ultrassonografia, até se identificar e passagem da mesma no interior do nódulo ou dos nódulos em questão.  Aspira-se então pequena quantidade de material do interior do nódulo, obtendo-se amostra que será, em seguida, preparada e avaliada ao microscópio, por médico especialista em patologia. As informações da citologia (estudo laboratorial das células obtidas na punção), o contexto clínico e os achados pela ultrassonografia, ajudam significativamente a definição da conduta, se cirúrgica ou de controle periódico do nódulo.

Finalmente, “como devo proceder se achar que tenho um nódulo de tireoide?”

Se você suspeita que tem um nódulo na tireóide, consulte o seu médico, para o diagnóstico e a definição de conduta ou tratamento. Depois siga o tratamento recomendado e acompanhamento com o seu médico conforme a necessidade.

Dr. Otton Reis
CRM-MG 28283
Médico Radiologista e Ultrassonografista com Título de Especialista em Radiodiagnóstico pelo Colégio Brasileiro de Radiologia